domingo, 27 de maio de 2012

Entre nós só há o mar

Não há o que temer, amor
Entre nós só há o mar...
Talvez uns peixinhos,
Uns barcos a navegar, quem sabe?
Mas essencialmente, só o mar.

E para além do mar, o que há?
Para ti, além do mar tem teu amor,
Quieto, no cais do Douro.
Para mim, além do mar há minha amada,
Inquieta no Porto Flutuante.

E é assim que somos:
- Ou melhor, que estamos! -
O teu amor aqui,
O meu amor aí,
E o mar, só o mar.

Quem nos dera ser o mar do Pacífico...
Sempre de águas verdes, claras
E, sobretudo, calmas.
Parece ter sido criado por um sambista
Tomando sua cerveja à beira do mar.

Mas conosco não podia ser assim.
O mar do Pacífico? Não...
Logo o nosso amor,
Amor de estradas esburacadas,
Curvas acentuadas,
Lombadas altas.
Com o nosso amor não haveria de ser assim,
Pacífico.

E o nosso mar é de Atlântico,
Azul, forte, violento, indomável.
Às vezes, por um desígnio dos deuses,
Ele parece calmo, zen,
E nos convida até para um vinho
(do Porto, naturalmente).
E de repente solta sua tormenta,
Seus raios, sua fúria, seus trovões.
O nosso mar é assim,
Como nossa estrada.

Mas há um detalhe...
Ainda omisso
(ou não percebido).

Se nossa estrada foi difícil,
Nosso amor foi incansávell:
Tração quatro por quatro,
Motor à diesel,
Carroceria blindada
Bancos de couro e tudo.
(Nenhum pneu furou)

Se nosso mar é violento,
Nosso amor é imbatível:
Grandes capitães,
Motor de popa, à vela, à remo,
Tudo junto e ao mesmo tempo.
(Um barco que não vira)

E assim nós vamos...
Piloto e co-piloto,
Capitão e imediato:
Um do outro.

E em breve seremos destituídos,
De todos os títulos oficiais
Do mar e das estradas.

Não vai mais haver mar,
Nem barco,
Nem estrada,
Nem quatro por quatro.

Somente eu e você,
Com amor,
Sem medo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

A poesia sai do papel e vai para a parede

Dias

Há dias alegres e dias tristes, ponto.
Dá pra ter alegria e tristeza em dia de sol,
Alegria e tristeza em dia de chuva:
O tempo não determina nada disso.

Mas parece...
Parece que os dias chuvosos
Têm uma tal vocação
Para
A
Melancolia.

domingo, 25 de março de 2012

De verdade?

Eu sou todo seu.
Todo.
Todinho.
Duas vezes.

Faço o que você quiser!
E sabe o que eu vou ouvir em resposta?

"Não quero que você faça nada
Contra sua vontade"

O problema, meu bem,
É que você é minha vontade.

Só não me peça uma coisa:
Pra te esquecer!
Eu fico sentido
Com esse pedido.

Até porque... Sabe?
Desde que você me pediu,
Não passou um segundo
Sem que eu não conseguisse.

Prezados

Tom,
Vinícius,
Chico, o único vivo.

Escrevo-lhes como afilhado.
(De consideração)

O que eu faço?

Gosto

Gosto de expressão...
Escrever, cantar,
Tocar violão.

Gostaria de pintura,
Se eu soubesse pintar.

Gostaria de teatro,
Se eu soubesse atuar...

Gostaria de fotografar,
Se eu tivesse uma câmera!

Mas só me deram um lápis,
Sem sequer borracha,
E meus erros vão ficando por aí,
Amontoados.

Eu gosto de expressão,
Mas tem um problema:

Ela é a válvula de escape
Dos meus demônios.

Seria então um exorcismo sentimental?

Lembra?

Lembra quando tu reclamavas,
Que eu nunca havia te feito um poema?

Antes de você,
Meus poemas eram café-com-leite.
Antes de você,
Era tudo treino.

It's the real deal now, baby,
Meus poemas são todos seus.

Depois

Quando a conheci,
Era curiosidade.
Quando a beijei,
Era tesão.

Quando a joguei nua em minha cama,
Era amizade, confusão, paixão...
Mil coisas.

Quando me joguei em seus braços,
Seus carinhos,
Seus abraços... Foi amor.
É amor, não deixará de ser.

Quando voei para longe dos afagos dela,
Era vontade.

Quando escrevi poemas sobre seu sorriso,
(Sua boca, seus cabelos, tantas outras coisas...)
Era saudade.

Quando brigamos,
Foi decepção.
Dela, minha... Não sei,
Só decepção.

"Quando" é igual a "se":
Somente uma condição.
O "se" talvez nem aconteça,
O "quando" é passageiro.

E o que fica?
Não são as conjunções,
É só aquele substantivo

Que carrega consigo
A verdadeira substância das coisas:
Amor.

É preciso ser forte, é preciso ser fraco

O amor é pros fracos
O amor é pros fortes
É a fraqueza de ceder-se
E a força pra sofrer

O amor é dos loucos
Poetas, boêmios, são poucos
Que se atrevem a lutar
Pelo amor de uma mulher

E se eu um dia eu te disser:
Eu sou fraco pra ser teu
Sou forte pra proteger
Sou louco para lutar por ti

Vais ser louca como eu?
Vais ser fraca para mim?
Vais ser forte pra me aturar até o fim?

Vem, que o fim é distante
Já nem posso enxergá-lo
Tanta vida pela frente
Tanto amor para embaçá-lo

Dá-me a mão e põe de lado
Tudo o que nos põe de lado
Ama junto a mim
E só

quarta-feira, 21 de março de 2012

Amar junto

Vejo fotos, poemas, vídeos e versos
E nada mais importa...

Recordo momentos e músicas,
Relembro piadas e risos,
O sabor das comidas de certos dias...
E nada mais importa, nada.

Não importa se choveu ou se fez sol,
Não importa se o ar fresco do fim da tarde me preencheu os pulmões,
Ou se apenas o torpor cinza dos engarrafamentos...
Não importa, nada disso importa.

O que interessa é se eu estava ao teu lado:
Se chorei, que chorasse no teu colo;
Se ri, que risse das nossas bobagens;
Se sofri, que sofresse de amor;
E, por último, e de maior importância:
Se amei, que amasse junto a ti.

Se briguei? Não sei
Se fizemos muito amor? Não quero saber
Sei só que amei junto a ti,
E que junto a ti continuarei amando.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012