Se você pensa que estamos no fim,
meu bem, está muito enganada.
Este é só o começo
de todo o resto que está por vir.
Se não olhamos mais para trás,
nos perguntamos se falta algo mais.
O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.
Eu conheço bem o processo,
o vai-e-vem, acaba-e-volta e tudo mais.
Se esse é o só primeiro,
como vamos encarar os demais?
Engole as lágrimas e vai sorrir,
porque eu não sou nenhum motivo pra chorar.
Lembre das chaves se for sair,
tenho certeza de que vais querer voltar.
O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Vaga-lume
No mais singelo dos bichos encontrei o resumo da dúvida que mais me traz tormenta.
Antes a resposta, ou o caminho; antes uma dica ou um sinal. Fora só a pergunta.
Vindo do mato e do breu, incentivado pelo cantar das cigarras e o soprar dos ventos, antes que não haja mais tempo, o vaga-lume me perguntou: brilhas ou não?
Não faço idéia e nem quero fazer: deixa eu fingir que há certeza, já que cedo ou tarde ela há de aparecer.
Antes a resposta, ou o caminho; antes uma dica ou um sinal. Fora só a pergunta.
Vindo do mato e do breu, incentivado pelo cantar das cigarras e o soprar dos ventos, antes que não haja mais tempo, o vaga-lume me perguntou: brilhas ou não?
Não faço idéia e nem quero fazer: deixa eu fingir que há certeza, já que cedo ou tarde ela há de aparecer.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...
A justiça não devia ser cega, devia ser "tempo".
Existe melhor alusão de imparcialidade?
Mas eu não fico feliz de esperar tanto, tanto...
Existe melhor alusão de imparcialidade?
Mas eu não fico feliz de esperar tanto, tanto...
terça-feira, 21 de outubro de 2008
É só parar de procurar a perfeição.
Eu quero uma paixão fulminante,
um amor para chamar de meu.
Quero um abraço,
e tatuado no braço
o nome que é teu.
Quero o armar e o desarmar;
Quero o atacar e o defender;
Quero o quebrar de vasos,
o bradar de xingamentos.
O gritar;
o chorar;
o beijar.
E, enfim,
paz.
É só parar de procurar a perfeição.
um amor para chamar de meu.
Quero um abraço,
e tatuado no braço
o nome que é teu.
Quero o armar e o desarmar;
Quero o atacar e o defender;
Quero o quebrar de vasos,
o bradar de xingamentos.
O gritar;
o chorar;
o beijar.
E, enfim,
paz.
É só parar de procurar a perfeição.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
A História do Mundo
(Tocam violinos e piano ao fundo)
Ela, aos prantos.
Ele, de uísque na mão. Cowboy.
- Nós precisamos conversar.
- Vai embora.
- Eu errei, mas ainda sou seu!
- Eu não preciso disso.
- Eu juro que com ela não havia amor!
- Logo desse jeito?
- Eu vinha mandando sinais desde cedo...
- Ah, então a culpa é minha?
- Não sei...
Ele se aproxima, ela o afasta:
- Está tudo acabado.
A iluminação aumenta, um homem de barba branca e cajado de madeira põe-se um passo a frente, olha para ambos e diz:
- Corta! O começo está muito bom... Mas o final tem que ser assim?
Ela, aos prantos.
Ele, de uísque na mão. Cowboy.
- Nós precisamos conversar.
- Vai embora.
- Eu errei, mas ainda sou seu!
- Eu não preciso disso.
- Eu juro que com ela não havia amor!
- Logo desse jeito?
- Eu vinha mandando sinais desde cedo...
- Ah, então a culpa é minha?
- Não sei...
Ele se aproxima, ela o afasta:
- Está tudo acabado.
A iluminação aumenta, um homem de barba branca e cajado de madeira põe-se um passo a frente, olha para ambos e diz:
- Corta! O começo está muito bom... Mas o final tem que ser assim?
sábado, 18 de outubro de 2008
18/10/08/21.45/Div.
Não quero mais escrever sobre amores que eu não sinto
Não sinto mais vontade de cantar coisas que não encantam
Chorar dores de um peito que não é meu.
Não quero mais perder a conta de fatores que me fazem feliz
E ainda assim sentir falta de coisas que nunca tive
Exemplificadas em livros, músicas, filmes.
Não quero seguir todo o futuro planejado
Quero sofrer acidentes
Falar coisas incoerentes
Algo que me leve a um lugar inusitado.
Nem que seja por um momento ou um segundo,
Queria apenas ter certeza,
Saber com muita clareza
O que vim fazer neste mundo.
Não sinto mais vontade de cantar coisas que não encantam
Chorar dores de um peito que não é meu.
Não quero mais perder a conta de fatores que me fazem feliz
E ainda assim sentir falta de coisas que nunca tive
Exemplificadas em livros, músicas, filmes.
Não quero seguir todo o futuro planejado
Quero sofrer acidentes
Falar coisas incoerentes
Algo que me leve a um lugar inusitado.
Nem que seja por um momento ou um segundo,
Queria apenas ter certeza,
Saber com muita clareza
O que vim fazer neste mundo.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Planos
Acordei.
Finalmente terminei a escola,
entrei então, na universidade de meus sonhos.
Cursei os caminhos tortuosos do direito,
fui a festas, namorei, estudei arduamente.
Enfim, graduei-me.
Trabalhei um pouco, pois a prática...
ela trás algo parecido com perfeição.
Ganhei, perdi, apostei no animal errado
e isso me fazia lembrar que daquela fez,
a besta era eu.
Mas também apostei no animal certo:
a fera que há em mim.
Fiz outros cursos e concursos,
andei entre 'logias' e 'sofias'.
Mas não só trabalhei a mente:
viajei, conheci, ri. Até casei.
Desta vez me fixei.
Filhos, muitos filhos!
Um Paulo, um José, quem sabe um João,
continuei trabalhando para garantir-lhes o pão.
Ensinei onde sempre quis ensinar,
para quem sempre quis ensinar.
Tive a oportunidade tornar à casa
com as costas pesadas de títulos
e o coração aliviado de modéstia.
Nem que seja a falsa modéstia.
Perto de meus oitenta anos,
aposentei os serviços oficiais
e passei a ter a escrita como ofício.
Levantei-me, banhei-me, vesti-me...
e o dia estava apenas começando.
Finalmente terminei a escola,
entrei então, na universidade de meus sonhos.
Cursei os caminhos tortuosos do direito,
fui a festas, namorei, estudei arduamente.
Enfim, graduei-me.
Trabalhei um pouco, pois a prática...
ela trás algo parecido com perfeição.
Ganhei, perdi, apostei no animal errado
e isso me fazia lembrar que daquela fez,
a besta era eu.
Mas também apostei no animal certo:
a fera que há em mim.
Fiz outros cursos e concursos,
andei entre 'logias' e 'sofias'.
Mas não só trabalhei a mente:
viajei, conheci, ri. Até casei.
Desta vez me fixei.
Filhos, muitos filhos!
Um Paulo, um José, quem sabe um João,
continuei trabalhando para garantir-lhes o pão.
Ensinei onde sempre quis ensinar,
para quem sempre quis ensinar.
Tive a oportunidade tornar à casa
com as costas pesadas de títulos
e o coração aliviado de modéstia.
Nem que seja a falsa modéstia.
Perto de meus oitenta anos,
aposentei os serviços oficiais
e passei a ter a escrita como ofício.
Levantei-me, banhei-me, vesti-me...
e o dia estava apenas começando.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
A Semana
De segunda a segunda eu falo,
na terça eu hablo.
De lua em lua eu trabalho,
e é de sol em sol que eu descanso
com a feliz fadiga que me é o canto.
Quase todo dia eu conto
as nem tão felizes histórias de um mais um.
Divido minhas horas em frações infinitesimais
e continua a quarta a não acabar jamais!
Na quinta, então, eu respiro:
dou meu jeito, me viro.
Porém, nesse dia, à noite eu espero
a sexta-feira, dia em que todos ficam
sem eira nem beira.
Aos sábados eu assisto o dia
passar num meio de emoção e tarefa:
um risco.
Então chega o domingo e nele eu morro,
me desespero, peço socorro!
E mesmo assim não me preocupo,
pois ainda estou no meio de março
e na segunda-feira eu renasço.
na terça eu hablo.
De lua em lua eu trabalho,
e é de sol em sol que eu descanso
com a feliz fadiga que me é o canto.
Quase todo dia eu conto
as nem tão felizes histórias de um mais um.
Divido minhas horas em frações infinitesimais
e continua a quarta a não acabar jamais!
Na quinta, então, eu respiro:
dou meu jeito, me viro.
Porém, nesse dia, à noite eu espero
a sexta-feira, dia em que todos ficam
sem eira nem beira.
Aos sábados eu assisto o dia
passar num meio de emoção e tarefa:
um risco.
Então chega o domingo e nele eu morro,
me desespero, peço socorro!
E mesmo assim não me preocupo,
pois ainda estou no meio de março
e na segunda-feira eu renasço.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Amazônia: como foi? Como será? Pt 3
Falo muito do lugar onde vivo
Afinal, nada mais passa pelo meu crivo!
Quem escolheu o tema de falar de terras onde não habito?
Um sábio não foi, apito.
Dizem que no além-rio há festas que cortam a noite
Reza a lenda, em Parintins, a noite não é escura:
É cheia de luzes, bonecos, bebidas... Nenhum açoite.
E as mulheres? Que tortura!
Atrações provincianas como essa existem aos montes
Mas no momento lembro apenas das menos interessantes,
O vôo das araras, o pôr-do-sol no rio...
Ah sim! E as estrelas na imensidão negra do horizonte.
Como pude esquecer? Seria como não mencionar
O belo colar de diamantes que um pai fez a filha usar.
Afinal, nada mais passa pelo meu crivo!
Quem escolheu o tema de falar de terras onde não habito?
Um sábio não foi, apito.
Dizem que no além-rio há festas que cortam a noite
Reza a lenda, em Parintins, a noite não é escura:
É cheia de luzes, bonecos, bebidas... Nenhum açoite.
E as mulheres? Que tortura!
Atrações provincianas como essa existem aos montes
Mas no momento lembro apenas das menos interessantes,
O vôo das araras, o pôr-do-sol no rio...
Ah sim! E as estrelas na imensidão negra do horizonte.
Como pude esquecer? Seria como não mencionar
O belo colar de diamantes que um pai fez a filha usar.
Amazônia: como foi? Como será? Pt 2
Como foi?
[não sei
Li muito pouco e desta história eu ainda não estudei.
Como será?
[talvez
Todos sabem: da nascente à foz, quem traça o curso do rio somos nós.
Sei apenas como é.
Sei que desde muito tempo as pessoas sentam em cadeiras de balanço
E tardam a se balançar para ver o tempo passar
E sobre o tempo conversar...
Sei que desde muito tempo a cidade vem crescendo
[para baixo, para cima, para um lado e para o outro...
E mesmo assim vivemos como no interior:
Conhecendo todos,
Sabendo de todos,
Discutindo de todos a vida, a morte e o amor.
Sei que desde sempre os olhares do mundo repousam sobre esta terra
E infelizmente os que aqui vivem pouco fazem para defendê-la.
Ao contrário: desmatam, sujam, mentem e roubam.
A pátria amada? Não amam.
Minha sorte é saber que o verdadeiro amazonense está aí
A trabalhar
A sofrer
A esperar.
Pois ainda temos o amanhã
E o amanhã será melhor.
[não sei
Li muito pouco e desta história eu ainda não estudei.
Como será?
[talvez
Todos sabem: da nascente à foz, quem traça o curso do rio somos nós.
Sei apenas como é.
Sei que desde muito tempo as pessoas sentam em cadeiras de balanço
E tardam a se balançar para ver o tempo passar
E sobre o tempo conversar...
Sei que desde muito tempo a cidade vem crescendo
[para baixo, para cima, para um lado e para o outro...
E mesmo assim vivemos como no interior:
Conhecendo todos,
Sabendo de todos,
Discutindo de todos a vida, a morte e o amor.
Sei que desde sempre os olhares do mundo repousam sobre esta terra
E infelizmente os que aqui vivem pouco fazem para defendê-la.
Ao contrário: desmatam, sujam, mentem e roubam.
A pátria amada? Não amam.
Minha sorte é saber que o verdadeiro amazonense está aí
A trabalhar
A sofrer
A esperar.
Pois ainda temos o amanhã
E o amanhã será melhor.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Amazônia: como foi? como será? Pt 1
Dos altos da borracha aos tempos em que hoje se vive
São mais de cem anos dos quais poucos eu realmente tive
E ainda assim posso afirmar:
Já vi o espaço quando olhei para um rio que mais parecia mar;
Já li os passos de homens que foram à lua
Mas não encontro comparação quando vejo um caboclo andando sem esforço
Na mais quente das ruas.
Já ouvi histórias de pescador, taxista, seringueiro e repentista,
Nenhuma era mais verdade
Que a história cravada a ferro e pedra no coração da cidade.
E nessa cidade há história.
História de monarquia: ou governar por mais de vinte anos ainda é democracia?
História de redenção: do homem que para ajudar o povo foi buscar educação;
História de luxo: é do desgosto um gosto a semente e o fruto de quem planta ilusão para colher mais um milhão;
História de lixo: é a lata, é a água, é o plástico e o bicho.
História de honra.
Honra de quem faz, e quem faz por merecer.
Merecer a glória de ter construído um império de cinza e cinzas rodeado de vermelhos no verde.
Um império elegante, um império e vistoso. Que só não é mais bonito e mais ainda harmonioso pela falta de caráter de alguns “homens do povo”.
O povo, eu digo: está fadado ao sorriso. Pois nas entrelinhas do pranto está o riso e a esperança.
Afinal, como diria o homem: o amanhã será melhor.
São mais de cem anos dos quais poucos eu realmente tive
E ainda assim posso afirmar:
Já vi o espaço quando olhei para um rio que mais parecia mar;
Já li os passos de homens que foram à lua
Mas não encontro comparação quando vejo um caboclo andando sem esforço
Na mais quente das ruas.
Já ouvi histórias de pescador, taxista, seringueiro e repentista,
Nenhuma era mais verdade
Que a história cravada a ferro e pedra no coração da cidade.
E nessa cidade há história.
História de monarquia: ou governar por mais de vinte anos ainda é democracia?
História de redenção: do homem que para ajudar o povo foi buscar educação;
História de luxo: é do desgosto um gosto a semente e o fruto de quem planta ilusão para colher mais um milhão;
História de lixo: é a lata, é a água, é o plástico e o bicho.
História de honra.
Honra de quem faz, e quem faz por merecer.
Merecer a glória de ter construído um império de cinza e cinzas rodeado de vermelhos no verde.
Um império elegante, um império e vistoso. Que só não é mais bonito e mais ainda harmonioso pela falta de caráter de alguns “homens do povo”.
O povo, eu digo: está fadado ao sorriso. Pois nas entrelinhas do pranto está o riso e a esperança.
Afinal, como diria o homem: o amanhã será melhor.
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