domingo, 25 de março de 2012

Prezados

Tom,
Vinícius,
Chico, o único vivo.

Escrevo-lhes como afilhado.
(De consideração)

O que eu faço?

Gosto

Gosto de expressão...
Escrever, cantar,
Tocar violão.

Gostaria de pintura,
Se eu soubesse pintar.

Gostaria de teatro,
Se eu soubesse atuar...

Gostaria de fotografar,
Se eu tivesse uma câmera!

Mas só me deram um lápis,
Sem sequer borracha,
E meus erros vão ficando por aí,
Amontoados.

Eu gosto de expressão,
Mas tem um problema:

Ela é a válvula de escape
Dos meus demônios.

Seria então um exorcismo sentimental?

Lembra?

Lembra quando tu reclamavas,
Que eu nunca havia te feito um poema?

Antes de você,
Meus poemas eram café-com-leite.
Antes de você,
Era tudo treino.

It's the real deal now, baby,
Meus poemas são todos seus.

Depois

Quando a conheci,
Era curiosidade.
Quando a beijei,
Era tesão.

Quando a joguei nua em minha cama,
Era amizade, confusão, paixão...
Mil coisas.

Quando me joguei em seus braços,
Seus carinhos,
Seus abraços... Foi amor.
É amor, não deixará de ser.

Quando voei para longe dos afagos dela,
Era vontade.

Quando escrevi poemas sobre seu sorriso,
(Sua boca, seus cabelos, tantas outras coisas...)
Era saudade.

Quando brigamos,
Foi decepção.
Dela, minha... Não sei,
Só decepção.

"Quando" é igual a "se":
Somente uma condição.
O "se" talvez nem aconteça,
O "quando" é passageiro.

E o que fica?
Não são as conjunções,
É só aquele substantivo

Que carrega consigo
A verdadeira substância das coisas:
Amor.

É preciso ser forte, é preciso ser fraco

O amor é pros fracos
O amor é pros fortes
É a fraqueza de ceder-se
E a força pra sofrer

O amor é dos loucos
Poetas, boêmios, são poucos
Que se atrevem a lutar
Pelo amor de uma mulher

E se eu um dia eu te disser:
Eu sou fraco pra ser teu
Sou forte pra proteger
Sou louco para lutar por ti

Vais ser louca como eu?
Vais ser fraca para mim?
Vais ser forte pra me aturar até o fim?

Vem, que o fim é distante
Já nem posso enxergá-lo
Tanta vida pela frente
Tanto amor para embaçá-lo

Dá-me a mão e põe de lado
Tudo o que nos põe de lado
Ama junto a mim
E só

quarta-feira, 21 de março de 2012

Amar junto

Vejo fotos, poemas, vídeos e versos
E nada mais importa...

Recordo momentos e músicas,
Relembro piadas e risos,
O sabor das comidas de certos dias...
E nada mais importa, nada.

Não importa se choveu ou se fez sol,
Não importa se o ar fresco do fim da tarde me preencheu os pulmões,
Ou se apenas o torpor cinza dos engarrafamentos...
Não importa, nada disso importa.

O que interessa é se eu estava ao teu lado:
Se chorei, que chorasse no teu colo;
Se ri, que risse das nossas bobagens;
Se sofri, que sofresse de amor;
E, por último, e de maior importância:
Se amei, que amasse junto a ti.

Se briguei? Não sei
Se fizemos muito amor? Não quero saber
Sei só que amei junto a ti,
E que junto a ti continuarei amando.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mulheres

As mulheres mais marcantes são aquelas que nos fazem perder a fé... Em tudo.

Eu te quero

Eu te quero:
Aporrinhando a minha vida;
Fechando meus armários;
Juntando as minhas roupas;
Me falando as palavras mais cruéis...

Na verdade, tanto faz...
Tanto faz o que você fez,
Tanto faz o que eu fiz.
Eu te quero mesmo me fazendo miserável
Se só assim eu for feliz.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tristeza que bate e fica

Se eu estou triste? Não.
Se algo me chateia? Também não.
É que, de uns tempos pra cá...

Não é que eu tenha estado triste de uns tempos pra cá;
É que de uns tempos pra cá eu virei uma pessoa triste.

Tão triste que já me conformei com isso.

domingo, 25 de dezembro de 2011

José de Alencar que me perdoe, mas...

A minha Iracema não tem lábios de mel:
Seus lábios são roxos,
Com o gosto do vinho tinto da noite passada.

Negros, como a asa da graúna?
Não, são apenas escuros
Como o rio que banha minha cidade.

O favo de jati?
Torna-se amargo
Quando minha Iracema sorri
[De tão mais doce que seu sorriso é]

E a corça selvagem?
Deixe-a ser rápida
Minha Iracema é calma
[Com a lentidão que me interessa]

Virgem?
Pobre Martim...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

E agora, José?

E agora, José?
A música parou,
O beijo acabou,
O portão fechou,
O avião decolou.
E agora, José?
E agora, eu?

Eu, que sentirei saudades;
Eu, que sou tão inseguro;
Eu, que comprei as passagens;
Eu, que não sei do futuro!
E agora, José?

Está sem mulher;
[Espero que não]
Está sem carinho;
[É verdade]
Está sem língua, ora pois.
E agora, José?
Cadê feijão? Cadê arroz?

E agora, José?
O avião pousou;
O portão se abriu;
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada;
A labuta começou.
E agora?

Agora é esperar.