Os amigos beberão até que não mais possam
Defender suas incríveis ideias;
Os políticos inutilmente gritarão.
Aqui ou lá do outro lado do mundo,
A conversa para:
Ao som de bomba ou ao som de bala;
Para sem ponto final toda a oratória.
Conseguirá alguém terminar a fala?
Haverá, então, uma solução?
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Da Água que Cai
Sempre que chove
A alma chora.
Late como cão sem dono;
Dói... e ela adora.
Na incansável busca por qualquer
- quem sabe? -
inexistente tristeza,
Ela acha num poeminha falido
Um fiapo de beleza!
A alma chora.
Late como cão sem dono;
Dói... e ela adora.
Na incansável busca por qualquer
- quem sabe? -
inexistente tristeza,
Ela acha num poeminha falido
Um fiapo de beleza!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Nova Ordem
Se ideia não tem mais acento
Como formulo eu o pensamento?
Calma, meu bem, não tema;
Ainda estamos aqui, o que caiu foi o trema.
Agora que tudo é menos complicadinho
É só tirar o hífen
- e ficamos maisjuntinhos.
Como formulo eu o pensamento?
Calma, meu bem, não tema;
Ainda estamos aqui, o que caiu foi o trema.
Agora que tudo é menos complicadinho
É só tirar o hífen
- e ficamos maisjuntinhos.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Caderno
Meu caderno de rascunhos é um oceano,
Um infinito de amores imperfeitos:
Amores de um só
E cupidos com defeito.
Minha pasta de músicas está cheia:
Cheia de bossas incompletas;
Baladas inacabadas;
Sonetos de mil estrofes.
Minha virgem dos olhos de menta tarda a chegar
E a me dar um beijo com gostinho de cânfora
Que eu nunca sentirei.
... E a me puxar para o seu abraçar:
Abraço com aroma de sândalo
Que eu nunca abraçarei.
Um infinito de amores imperfeitos:
Amores de um só
E cupidos com defeito.
Minha pasta de músicas está cheia:
Cheia de bossas incompletas;
Baladas inacabadas;
Sonetos de mil estrofes.
Minha virgem dos olhos de menta tarda a chegar
E a me dar um beijo com gostinho de cânfora
Que eu nunca sentirei.
... E a me puxar para o seu abraçar:
Abraço com aroma de sândalo
Que eu nunca abraçarei.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Homem ao Mar
Em cada porto em que paro
Disparo tiros de felicidade e tristeza.
E assim o meu navio parte:
De lua em lua;
De marte em marte.
As minhas certezas e incertezas
Se dissolvem em um mar de desilusão,
E aos poucos descubro em quais capitães posso confiar;
Em que praias posso aportar;
Com que belezas posso me entreter.
Vou então me conhecendo nesse fascinante oceano...
Isso que chamamos de "vida".
Disparo tiros de felicidade e tristeza.
E assim o meu navio parte:
De lua em lua;
De marte em marte.
As minhas certezas e incertezas
Se dissolvem em um mar de desilusão,
E aos poucos descubro em quais capitães posso confiar;
Em que praias posso aportar;
Com que belezas posso me entreter.
Vou então me conhecendo nesse fascinante oceano...
Isso que chamamos de "vida".
@ Alto Mar
Porto
De cada lugar que deixo para trás
Levo um sentimento cada vez mais distante e remoto
Das lembrancas que vivi.
Uma briga, um carinho;
Uma foto ou o souvenir mais pobrezinho...
Qualquer coisa que me traga de volta as tão negras,
brancas e pardas peles que conheci.
E do porto se parte
Num gesto, numa arte
Que só vendo para saber.
@ Jamaica
Levo um sentimento cada vez mais distante e remoto
Das lembrancas que vivi.
Uma briga, um carinho;
Uma foto ou o souvenir mais pobrezinho...
Qualquer coisa que me traga de volta as tão negras,
brancas e pardas peles que conheci.
E do porto se parte
Num gesto, numa arte
Que só vendo para saber.
@ Jamaica
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Distração
Nós não precisamos de algo para nos distrair: a distração sozinha se faz na ausência do fazer.
É por isso que quando nos isolamos de tudo que nos distrai, a fim de que possamos nos concentrar, nós nos distraímos do mesmo jeito, com o nada.
Hoje cheguei uma e vinte minutos mais cedo do que deveria ter chegado onde estou, e a distração se fez.
Se fez no papel e na caneta; na chuva que vinha chegando; nos minutos que passaram até agora; nas pessoas que falam ao redor e no futuro arranha-céu que estão construindo bem ali no horizonte.
A distração sozinha se fez.
É por isso que quando nos isolamos de tudo que nos distrai, a fim de que possamos nos concentrar, nós nos distraímos do mesmo jeito, com o nada.
Hoje cheguei uma e vinte minutos mais cedo do que deveria ter chegado onde estou, e a distração se fez.
Se fez no papel e na caneta; na chuva que vinha chegando; nos minutos que passaram até agora; nas pessoas que falam ao redor e no futuro arranha-céu que estão construindo bem ali no horizonte.
A distração sozinha se fez.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Casos
Eu beijo com as Línguas...
Namoro a poesia, caso com a prosa, chifro com a crônica e acabo desquitado (contos são só um caso à parte). Eu gosto mesmo é da palavra: procuro-a na forma do mesmo jeito que se procura o amor em uma mulher.
Namoro a poesia, caso com a prosa, chifro com a crônica e acabo desquitado (contos são só um caso à parte). Eu gosto mesmo é da palavra: procuro-a na forma do mesmo jeito que se procura o amor em uma mulher.
Desencontro das Águas
... É um mar de águas escuras, mas é bem calminho e venta tanto em sua praia que teus cabelos e teu semblante sentiriam realmente o sabor da liberdade incondicional.
Ao pôr-do-sol, a bola de fogo se apaga de pouco em pouco, e o calor vai tocando teu rosto, a luz vai te abraçando passionalmente e tu te entregas ao brilho. Faz-se o contraste com o frio que o vento traz.
A noite vem descendo, a lua vai subindo e então se vê apenas o breu.
Teus olhos enxergam nada mais que trevas, as cintilantes luzes solitárias dos barcos longínquos e as estrelas, tais como um colar de diamantes sobre um vestido negro de cetim.
Teus braços nus sentem não mais a quentura trazida pelo sol, e tu te agarras à ti mesma, em uma tentativa frustrada de amenizar a frieza que te tomou.
O vento mantêm teus cabelos revoltosos e teus olhos semi-cerrados.
Pões teus pés de volta à areia gelada e te distancias, sumindo por entre as árvores e me deixando tão sozinho... Como se não houvesse encontro algum entre as águas de nossas almas.
Ao pôr-do-sol, a bola de fogo se apaga de pouco em pouco, e o calor vai tocando teu rosto, a luz vai te abraçando passionalmente e tu te entregas ao brilho. Faz-se o contraste com o frio que o vento traz.
A noite vem descendo, a lua vai subindo e então se vê apenas o breu.
Teus olhos enxergam nada mais que trevas, as cintilantes luzes solitárias dos barcos longínquos e as estrelas, tais como um colar de diamantes sobre um vestido negro de cetim.
Teus braços nus sentem não mais a quentura trazida pelo sol, e tu te agarras à ti mesma, em uma tentativa frustrada de amenizar a frieza que te tomou.
O vento mantêm teus cabelos revoltosos e teus olhos semi-cerrados.
Pões teus pés de volta à areia gelada e te distancias, sumindo por entre as árvores e me deixando tão sozinho... Como se não houvesse encontro algum entre as águas de nossas almas.
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