quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

À amiga

Vê! Por vezes nos tacharam de amantes!
Errantes, sem dúvida, sempre errantes...
E sempre nos acharam contentes:
Ora determinados,
Ora imprudentes,
Mas sempre indubitavelmente contentes.

Jamais permanecemos calados,
Mesmo que nem sempre estivéssemos falantes.
Apenas, ao apoio mútuo, ficamos viventes:
Eu, sendo teu fiel amigo,
E tu, amiga minha, sendo meu fiel abraço

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Nem um, nem outro

Eu tenho certeza de tudo,
ou sou eu uma dúvida por completo?
Minha seriedade é séria,
ou sou apenas sério àqueles para quem tenho medo de sorrir?
Faço eu genuína poesia,
ou escrevo poemas para garotas que se iludem facilmente?
Me falta chegar a paixão,
ou eu que não a deixo chegar a mim?

Sou tudo o que na verdade sou,
ou apenas parte do que imaginam de mim?
Ainda preciso achar meu norte,
ou a bússola de minha vida aponta para o caminho errado?
Afinal de contas:
Eu tenho tantas facetas, ou sou inteiramente uma farsa?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poemeto em francês

Non, je ne regrette rien...
Je ne regrette pas de fumer, je ne regrette pas de boire,
Je ne regrette pas de respirer l'air sale du monde.
Je ne regrette pas, non.

Mais oui, je me regrette d'avoir aimé...
Parce que l'amour est tout sur regrettement,
L'amor et le regrettement sont la même chose.

Vous en regrettez?
Vous en avez déjà regretté? Experimentez.

(Par inspiration de la musique "Non, je ne regrette rien")


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A cereja e a caneta

Certa vez perguntou a caneta à cereja:
O que aflige tua doce vermelhidão?
Aflige-me a falta de expressão.
Aflige-me a ausência de um verso,
que seja,
De gosto ou de desgosto.
Afligem-me o cair das folhas ao meu redor,
A chegada do outono, os bem-te-vis,
Tão alegres que piam ao me beliscar.
Doem-me os beliscões, que, aos poucos,
vão levando minha vermelhidão.

Eis que a caneta arrancou-lhe mais uma folha
E dolorosamente disse-lhe, nas entrelinhas:
Sempre que te afligir a ausência das coisas
- do gosto, do desgosto ou do verso -
Lembra-te da presença das estrelinhas
Tão distantes, tão pequenininhas,
Rodeadas por Deus e seus anjinhos,
Mas que nunca perdem o brilho
Mesmo em presença de tão gigantes
e celestes passarinhos!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aftertaste

Tem coisa que trava na língua, tem coisa que trava no coração.
Vinho trava na língua; a gente come um queijo, joga conversa fora, e o amargor permanece.
Amor trava no coração; a gente dança outros tangos, assiste a outros filmes, namora em praças diferentes...
É um aftertaste adstringente não só pelo travor que abrange o corpo todo, mas pelo jugo ante o qual ficamos submetidos inconscientemente;
É um sabor cáustico, não só cáustico por ficar - às vezes, durante anos - se arrastando pelas papilas gustativas do coração, mas cáustico por ser mordaz e queimar lentamente, ironicamente;
É, acima de tudo, de lixívia, pois cai-se na barrela e se fica com a reputação repleta de nódoas e máculas, resultantes de atritos passados.
Cáustico, adstringente ou de lixívia, não é à toa que os nomes do travoso sabor de amar são tão coerentes em seus outros significados.
Ah, e no final... O amargor permanece.

domingo, 4 de outubro de 2009

Caixa de fósforos

Numa caixinha de fósforos
- tão pequena -
Há tantas oportunidades
de se fazer tanta luz.
Oportunidadezinhas
imensamente efêmeras.
Numa caixinha de oportunidade-
zinhas azuis.

sábado, 3 de outubro de 2009

A Pureza de um Homem

A pureza de um homem não deve ser medida
Pelo número de cigarros que ele não fumou,
Pelas vezes em que ele não pensou em sexo
Ou por todas as cervejas que ele deixou de beber.
A pureza do homem jamais será medida
Por critérios tão mundanos.

A pureza de um homem será sempre avaliada
Pela desesperada solicitude com a qual
ele ajuda seus amigos;
Ela deverá ser medida de acordo com sua sinceridade:
A honestidade - não apenas quanto ao dinheiro
[que caiu na calçada -
Mas a honestidade em relação aos sentimentos
e à postura diante da vida.
A simplicidade com que ele apoia quem precisa
e com que ouve quem quer falar.
A pureza de um homem há de ser sempre correlacionada
à sua indignação diante dos crimes mais hediondos
e dos pecados mais crueis.

Há poucos homens puros,
Mas estes valem por muitos de nós.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Amazonas rosa

Ali! Onde o céu do Amazonas fica rosa!
É um lugar que faz com que
Os campos de grama fiquem lisos lisos...
As árvores são voluptuosamente virgens,
E o vento é acolhedoramente frio.
Ali, no único lugar do mundo
Onde o céu do Amazonas fica rosa.

sábado, 26 de setembro de 2009

Que nem música

Julga as opções sem dó,
Ao contrário, andarás de ré.
Tem cuidado com vos amis,
Estes causam o maior bafafá...
Se queres morrer onde nasce o sol,
Trabalha sempre virado para lá
E pensa sempre apenas em si.

Seria tão chato o som da vida
se ela fosse tocada nessa ordem
tão (mono)cromática!
Ainda bem que somos feitos de
acordes dissonantes,
melodias pra lá de errantes,
erros gramaticais
e atitudes irracionais!
Que nem música,
igualzinho música...

Se render

Vive, mas não te rendas à vida
[surrender]
Ama, e te rendas sem pensar duas vezes
[surrender]
Acaba sendo tudo como um crime:
a gente nunca sabe,
[to surrender or not to]

Os Pássaros

Olha lá,
os pássaros no meu quintal
me chamando pra voar.

Vê aqui,
eu querendo ir lá voar
enquanto ainda crescem minhas asas
ao gosto amargo do caqui.

Bem-te-vi, bem que eu te avisei
o quanto seria difícil
voar
voar
voar