segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Férias

Garota, esqueça.
Pára com essa mania de insistir.
Me passa o açúcar,
adoça a amargura da vontade de pedir.

Liga a minha guitarra, mulher,
pr'eu te fazer um som que eu nunca mais te fiz.
E prepara um café,
que o álcool me confunde os sentidos.

Não rasgue essas fotos,
prometo que um dia elas vão fazer falta pra você.
Desculpa, querida,
eu não sou desse mundo e nem vim pra ficar.

Eu estou de férias,
e juro que não vou embora sem dar tchau.
Não quero voltar,
procuro por um jeito de fugir do final.

Relaxa e não liga.
O que todos dizem não importa mais.
Viva a sua vida,
ela não é pra sempre e é assim que se faz.

Não rasgue essas fotos,
prometo que um dia elas vão fazer falta pra você.
Desculpa, querida,
eu não sou desse mundo e nem vim pra ficar.

Por Acaso

Sim, foi feito com descaso,
mas meio que por acaso
deu certo e aconteceu.
Não, não posso me demorar.
Se você diz que espera,
o meu futuro não, não pode esperar.

Vou pegar o próximo bonde e me mandar daqui
pra outro lugar.
Eu queria te ver na estação pronta pra me buscar.
Você não disse que podia esperar?

E agora que eu tô aqui,
chega de blábláblá.
Deixa eu voltar pra sua vida,
e eu prometo que tudo vai durar.

Se você não se comove com os solos,
eu prometo que com as bases da minha guitarra
eu vou te cativar até você pedir
para ficar aqui comigo.
E nunca mais largar.

Vou pegar o próximo bonde e me mandar daqui
pra outro lugar.
Eu queria te ver na estação pronta pra me buscar.
Pronta pra se despedir de mim.

Sambinha

Eu quero ver você sambar.
E a madrugada vai esperar
teu rebolado encantar minha canção.

E quando a festa acabar
eu vou pedir pra não parar.
Deixa rolar o nosso amor ao violão.

Não me pergunte mais nada,
vista as roupas, faça a mala.
O nosso amor é maior que o céu azul.

E agora que estamos longe
me declaro mais distante.
Pois com você fico assim:
longe de mim.

Todos os seus amores

Se você pensa que estamos no fim,
meu bem, está muito enganada.
Este é só o começo
de todo o resto que está por vir.
Se não olhamos mais para trás,
nos perguntamos se falta algo mais.

O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.

Eu conheço bem o processo,
o vai-e-vem, acaba-e-volta e tudo mais.
Se esse é o só primeiro,
como vamos encarar os demais?
Engole as lágrimas e vai sorrir,
porque eu não sou nenhum motivo pra chorar.
Lembre das chaves se for sair,
tenho certeza de que vais querer voltar.

O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.

Vaga-lume

No mais singelo dos bichos encontrei o resumo da dúvida que mais me traz tormenta.
Antes a resposta, ou o caminho; antes uma dica ou um sinal. Fora só a pergunta.
Vindo do mato e do breu, incentivado pelo cantar das cigarras e o soprar dos ventos, antes que não haja mais tempo, o vaga-lume me perguntou: brilhas ou não?
Não faço idéia e nem quero fazer: deixa eu fingir que há certeza, já que cedo ou tarde ela há de aparecer.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

A justiça não devia ser cega, devia ser "tempo".
Existe melhor alusão de imparcialidade?
Mas eu não fico feliz de esperar tanto, tanto...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

É só parar de procurar a perfeição.

Eu quero uma paixão fulminante,
um amor para chamar de meu.
Quero um abraço,
e tatuado no braço
o nome que é teu.
Quero o armar e o desarmar;
Quero o atacar e o defender;
Quero o quebrar de vasos,
o bradar de xingamentos.
O gritar;
o chorar;
o beijar.
E, enfim,
paz.
É só parar de procurar a perfeição.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A História do Mundo

(Tocam violinos e piano ao fundo)
Ela, aos prantos.
Ele, de uísque na mão. Cowboy.
- Nós precisamos conversar.
- Vai embora.
- Eu errei, mas ainda sou seu!
- Eu não preciso disso.
- Eu juro que com ela não havia amor!
- Logo desse jeito?
- Eu vinha mandando sinais desde cedo...
- Ah, então a culpa é minha?
- Não sei...

Ele se aproxima, ela o afasta:
- Está tudo acabado.

A iluminação aumenta, um homem de barba branca e cajado de madeira põe-se um passo a frente, olha para ambos e diz:
- Corta! O começo está muito bom... Mas o final tem que ser assim?

sábado, 18 de outubro de 2008

18/10/08/21.45/Div.

Não quero mais escrever sobre amores que eu não sinto
Não sinto mais vontade de cantar coisas que não encantam
Chorar dores de um peito que não é meu.

Não quero mais perder a conta de fatores que me fazem feliz
E ainda assim sentir falta de coisas que nunca tive
Exemplificadas em livros, músicas, filmes.

Não quero seguir todo o futuro planejado
Quero sofrer acidentes
Falar coisas incoerentes
Algo que me leve a um lugar inusitado.

Nem que seja por um momento ou um segundo,
Queria apenas ter certeza,
Saber com muita clareza
O que vim fazer neste mundo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Planos

Acordei.
Finalmente terminei a escola,
entrei então, na universidade de meus sonhos.
Cursei os caminhos tortuosos do direito,
fui a festas, namorei, estudei arduamente.
Enfim, graduei-me.
Trabalhei um pouco, pois a prática...
ela trás algo parecido com perfeição.
Ganhei, perdi, apostei no animal errado
e isso me fazia lembrar que daquela fez,
a besta era eu.
Mas também apostei no animal certo:
a fera que há em mim.
Fiz outros cursos e concursos,
andei entre 'logias' e 'sofias'.
Mas não só trabalhei a mente:
viajei, conheci, ri. Até casei.
Desta vez me fixei.
Filhos, muitos filhos!
Um Paulo, um José, quem sabe um João,
continuei trabalhando para garantir-lhes o pão.
Ensinei onde sempre quis ensinar,
para quem sempre quis ensinar.
Tive a oportunidade tornar à casa
com as costas pesadas de títulos
e o coração aliviado de modéstia.
Nem que seja a falsa modéstia.
Perto de meus oitenta anos,
aposentei os serviços oficiais
e passei a ter a escrita como ofício.
Levantei-me, banhei-me, vesti-me...
e o dia estava apenas começando.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Semana

De segunda a segunda eu falo,
na terça eu hablo.
De lua em lua eu trabalho,
e é de sol em sol que eu descanso
com a feliz fadiga que me é o canto.
Quase todo dia eu conto
as nem tão felizes histórias de um mais um.
Divido minhas horas em frações infinitesimais
e continua a quarta a não acabar jamais!
Na quinta, então, eu respiro:
dou meu jeito, me viro.
Porém, nesse dia, à noite eu espero
a sexta-feira, dia em que todos ficam
sem eira nem beira.
Aos sábados eu assisto o dia
passar num meio de emoção e tarefa:
um risco.
Então chega o domingo e nele eu morro,
me desespero, peço socorro!
E mesmo assim não me preocupo,
pois ainda estou no meio de março
e na segunda-feira eu renasço.