segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Caderno

Meu caderno de rascunhos é um oceano,
Um infinito de amores imperfeitos:
Amores de um só
E cupidos com defeito.

Minha pasta de músicas está cheia:
Cheia de bossas incompletas;
Baladas inacabadas;
Sonetos de mil estrofes.

Minha virgem dos olhos de menta tarda a chegar
E a me dar um beijo com gostinho de cânfora
Que eu nunca sentirei.

... E a me puxar para o seu abraçar:
Abraço com aroma de sândalo
Que eu nunca abraçarei.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Homem ao Mar

Em cada porto em que paro
Disparo tiros de felicidade e tristeza.
E assim o meu navio parte:
De lua em lua;
De marte em marte.
As minhas certezas e incertezas
Se dissolvem em um mar de desilusão,
E aos poucos descubro em quais capitães posso confiar;
Em que praias posso aportar;
Com que belezas posso me entreter.
Vou então me conhecendo nesse fascinante oceano...
Isso que chamamos de "vida".

@ Alto Mar

Porto

De cada lugar que deixo para trás
Levo um sentimento cada vez mais distante e remoto
Das lembrancas que vivi.
Uma briga, um carinho;
Uma foto ou o souvenir mais pobrezinho...
Qualquer coisa que me traga de volta as tão negras,
brancas e pardas peles que conheci.
E do porto se parte
Num gesto, numa arte
Que só vendo para saber.

@ Jamaica

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Distração

Nós não precisamos de algo para nos distrair: a distração sozinha se faz na ausência do fazer.
É por isso que quando nos isolamos de tudo que nos distrai, a fim de que possamos nos concentrar, nós nos distraímos do mesmo jeito, com o nada.
Hoje cheguei uma e vinte minutos mais cedo do que deveria ter chegado onde estou, e a distração se fez.
Se fez no papel e na caneta; na chuva que vinha chegando; nos minutos que passaram até agora; nas pessoas que falam ao redor e no futuro arranha-céu que estão construindo bem ali no horizonte.
A distração sozinha se fez.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Casos

Eu beijo com as Línguas...
Namoro a poesia, caso com a prosa, chifro com a crônica e acabo desquitado (contos são só um caso à parte). Eu gosto mesmo é da palavra: procuro-a na forma do mesmo jeito que se procura o amor em uma mulher.

Desencontro das Águas

... É um mar de águas escuras, mas é bem calminho e venta tanto em sua praia que teus cabelos e teu semblante sentiriam realmente o sabor da liberdade incondicional.
Ao pôr-do-sol, a bola de fogo se apaga de pouco em pouco, e o calor vai tocando teu rosto, a luz vai te abraçando passionalmente e tu te entregas ao brilho. Faz-se o contraste com o frio que o vento traz.
A noite vem descendo, a lua vai subindo e então se vê apenas o breu.
Teus olhos enxergam nada mais que trevas, as cintilantes luzes solitárias dos barcos longínquos e as estrelas, tais como um colar de diamantes sobre um vestido negro de cetim.
Teus braços nus sentem não mais a quentura trazida pelo sol, e tu te agarras à ti mesma, em uma tentativa frustrada de amenizar a frieza que te tomou.
O vento mantêm teus cabelos revoltosos e teus olhos semi-cerrados.
Pões teus pés de volta à areia gelada e te distancias, sumindo por entre as árvores e me deixando tão sozinho... Como se não houvesse encontro algum entre as águas de nossas almas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Férias

Garota, esqueça.
Pára com essa mania de insistir.
Me passa o açúcar,
adoça a amargura da vontade de pedir.

Liga a minha guitarra, mulher,
pr'eu te fazer um som que eu nunca mais te fiz.
E prepara um café,
que o álcool me confunde os sentidos.

Não rasgue essas fotos,
prometo que um dia elas vão fazer falta pra você.
Desculpa, querida,
eu não sou desse mundo e nem vim pra ficar.

Eu estou de férias,
e juro que não vou embora sem dar tchau.
Não quero voltar,
procuro por um jeito de fugir do final.

Relaxa e não liga.
O que todos dizem não importa mais.
Viva a sua vida,
ela não é pra sempre e é assim que se faz.

Não rasgue essas fotos,
prometo que um dia elas vão fazer falta pra você.
Desculpa, querida,
eu não sou desse mundo e nem vim pra ficar.

Por Acaso

Sim, foi feito com descaso,
mas meio que por acaso
deu certo e aconteceu.
Não, não posso me demorar.
Se você diz que espera,
o meu futuro não, não pode esperar.

Vou pegar o próximo bonde e me mandar daqui
pra outro lugar.
Eu queria te ver na estação pronta pra me buscar.
Você não disse que podia esperar?

E agora que eu tô aqui,
chega de blábláblá.
Deixa eu voltar pra sua vida,
e eu prometo que tudo vai durar.

Se você não se comove com os solos,
eu prometo que com as bases da minha guitarra
eu vou te cativar até você pedir
para ficar aqui comigo.
E nunca mais largar.

Vou pegar o próximo bonde e me mandar daqui
pra outro lugar.
Eu queria te ver na estação pronta pra me buscar.
Pronta pra se despedir de mim.

Sambinha

Eu quero ver você sambar.
E a madrugada vai esperar
teu rebolado encantar minha canção.

E quando a festa acabar
eu vou pedir pra não parar.
Deixa rolar o nosso amor ao violão.

Não me pergunte mais nada,
vista as roupas, faça a mala.
O nosso amor é maior que o céu azul.

E agora que estamos longe
me declaro mais distante.
Pois com você fico assim:
longe de mim.

Todos os seus amores

Se você pensa que estamos no fim,
meu bem, está muito enganada.
Este é só o começo
de todo o resto que está por vir.
Se não olhamos mais para trás,
nos perguntamos se falta algo mais.

O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.

Eu conheço bem o processo,
o vai-e-vem, acaba-e-volta e tudo mais.
Se esse é o só primeiro,
como vamos encarar os demais?
Engole as lágrimas e vai sorrir,
porque eu não sou nenhum motivo pra chorar.
Lembre das chaves se for sair,
tenho certeza de que vais querer voltar.

O fim ainda está longe:
Senta e espera, vai demorar.
Se eu pego embalo pra cantar
esta canção, o tempo pode passar.
Mas por via das dúvidas,
desmarque todos os seus amores.
Quem está aqui sou eu,
e daqui não arredo o pé.