sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um Amanhã

Espero, paciente, a chegada de um dia:
Em que, banhados de melancolia,
Nós possamos mirar o céu e ver
Que a águia da alegria
Voa livre entre nós.

Tanto lixo e tantos homens
Que se assemelham a porcos,
Mortos de fome, imundos;
Tanta gente suja, torpe,
Matanto por ganância o nosso mundo...
Vai raiar, um dia há de raiar.

Um amanhã em que o tempo irá parar,
e as cores vão, enfim, desaparecer:
Para contemplarmos o espalmar
De nossas mãos.

domingo, 28 de junho de 2009

Dos Relógios

As melhores coisas acontecem no ponteiro dos segundos.

A Solitude da Razão

Triste mesmo é a razão.
Ela, que não chora, não sorri e não namora,
Fica sempre a espreitar por aí,
A reclamar do coração.

Pudera eu apresentar-lhe a canção,
Essa agridoce companhia
Que, no enredo da melancolia,
Vem embalar os versos meus.

Faria, então, uma ode ao pensamento,
Com acordes dissonantes,
Belas frases, fino trato...

Clamaria pela presença da emoção,
Reclamando de como o mundo seria chato
Se houvesse somente a razão.

sábado, 27 de junho de 2009

Dos Trens

Enfim partiram os trens!
Levaram consigo os choros, os sorrisos;
Os abraços dos amigos,
E a saudade peculiar dos trens.

Partiram, cada qual para um caminho,
Em estradas diferentes
E paisagens tão contundentes
Que pareciam estar sozinhos.

Depois de incontáveis milhas,
Os vagões foram preenchidos:
Trechos, pedras, trilhos... Então,

Quando vão se encontrar de novo?
Ignorantes, assim vão os trens,
Esperando a próxima estação

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Entre a Língua e a Alma

Há em nós um ser descontente
Que às vezes, pisando em todos os avisos,
Atende à súplica da libido,
E nos desatina completamente.

De repente transforma o resto de nós
Em pobres coitados, sedentos,
Que choram de gozo e riem de sofrimento
A cada desamarrar de nós.

Entre o fim de uma música e o início de outra,
A sanidade que nos resta é pouca
E nos satisfazemos em nos desfazer;

Entre a língua e a alma,
Há um corpo que, sem calma,
Se encontra em nos perder.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Querer

A ponta da minha língua te quer inteira:
da ponta dos teus pés ao céu da tua boca.
Os dentes da minha boca rasgarão tua roupa,
e eu te terei, enfim, inteira.

Então, quando te achares cansada
na fadiga do nosso momento
ou no afã que é meu contentamento,
É a mim que terminarás abraçada.

As pontas dos meus dedos vão navegar,
como no mar, os teus cabelos;
E eu fecharei meus olhos sem medo de naufragar.

Assim, quando perdermos o senso do mundo consciente,
nos acharemos agarradinhos:
não só em cama, mas também em mente.

sábado, 25 de abril de 2009

A Verdade sobre a Vida

A grande verdade é que a vida muda e te muda. Cada dia ela vai um pouquinho mais para o lado e, quando tu vês, ela está de cabeça para baixo e nem percebeste...

Das Horas

Tudo que é singular e finito é indispensável... Todo amor é singular; se é finito ou não, depende de cada amor.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

domingo, 29 de março de 2009